Banco de coletores solares térmicos na cobertura de um hotel
Solis Solar · 1ª edição

Atlas da energia
solar térmicado recurso à especificação

Base de irradiação, mês crítico e coeficiente de área coletora para quem dimensiona aquecimento solar em obra de grande porte.

Julho de 2026 115 localidades Dados NASA POWER 2001–2020
Sumário

O que tem aqui dentro

Dez capítulos que vão do recurso solar bruto até a folha de especificação assinada. Cada número tem fonte rastreável.

Como ler este atlas

Os capítulos 01 a 05 tratam do recurso: o que se mede, de onde vêm os dados, quanto eles erram, como o recurso se distribui pelo país e quanto oscila de um ano para o outro. Quem já domina recurso solar pode começar no 06.

Os capítulos 06 a 12 fazem a ponte que falta na literatura de recurso: converter irradiação em área de coletor, volume de acumulação, ângulo, conformidade normativa e viabilidade, para uma tipologia concreta numa cidade concreta.

Os capítulos 13 e 14 são de consulta: especificação e anexos, com a tabela completa das 115 localidades.

01Conceitos

Conceitos básicos

Quatro grandezas e dois ângulos. Quem já trabalha com recurso solar pode pular; o resto do atlas assume estes termos sem reapresentá-los.

Diagrama das componentes da irradiação solar e da geometria do plano inclinado
À esquerda, a decomposição da irradiação que chega a uma superfície horizontal. À direita, a geometria de um plano inclinado voltado ao equador.

As grandezas

SiglaNomeO que é
GHIIrradiação global horizontalTudo o que chega a uma superfície deitada: a difusa do céu inteiro mais a parcela direta projetada. É a grandeza mais medida e a base de quase todo atlas solar.
DNIIrradiação direta normalO feixe que vem do disco solar, medido num plano perpendicular a ele. É o que um concentrador aproveita, e o que a nuvem elimina primeiro.
DHIIrradiação difusa horizontalA parcela espalhada pela atmosfera e pelas nuvens, que chega de todas as direções do céu. Um coletor plano aproveita; um concentrador, não.
GβIrradiação no plano inclinadoO que efetivamente chega ao coletor montado com inclinação β. É a grandeza que dimensiona, e não coincide com a GHI.

A relação entre as três primeiras é direta: GHI = DHI + DNI × cos θz, em que θz é o ângulo zenital, medido entre o zênite e a direção do Sol. Ao meio-dia de verão em latitude baixa, θz é pequeno e o cosseno perto de 1; no fim da tarde, θz cresce e a mesma DNI contribui muito menos para a horizontal.

Os dois ângulos que o projeto escolhe

Unidade

Todos os valores deste atlas estão em kWh/m² por dia, que é a energia média diária incidente por metro quadrado num dado mês ou ano. É a unidade que entra direto no balanço de dimensionamento do capítulo 07. Onde se lê "irradiação anual" leia-se a média diária ao longo do ano, não o total acumulado — 5,0 kWh/m²·dia equivale a cerca de 1.825 kWh/m² por ano.

Irradiância e irradiação não são a mesma coisa. Irradiância é potência por área, em W/m², e é instantânea. Irradiação é energia por área, em kWh/m², e é a integral da irradiância no tempo. Atlas de recurso trabalham com irradiação; folha de dados de coletor costuma trazer rendimento em função da irradiância. Trocar uma pela outra é o erro de unidade mais comum do setor.
02Metodologia

De onde vêm estes números

Um atlas que não abre a metodologia é um folheto com mapa. Esta seção diz qual base foi usada, como ela é produzida, em que resolução e com que limites.

Por que não o Atlas do INPE

O Atlas Brasileiro de Energia Solar, do LABREN/CCST/INPE, é a referência nacional de recurso solar e continua sendo a obra a consultar em estudo de recurso. Sua base de dados é licenciada em CC BY-NC-ND e, nos termos publicados pelo próprio LABREN, não pode ser reproduzida ou copiada, integral ou parcialmente, para propósitos comerciais sem autorização expressa do instituto. NC veda o uso comercial; ND veda obra derivada. Por isso nenhum dado, mapa ou tabela daquela obra foi utilizado, adaptado ou derivado aqui. Este atlas foi construído sobre bases independentes, de domínio público.

A base

A irradiação e a temperatura deste atlas vêm do NASA POWERPrediction Of Worldwide Energy Resources —, programa da NASA que distribui séries meteorológicas e de radiação derivadas de satélite e de reanálise, em domínio público e com uso comercial livre mediante citação.

GrandezaProduto de origemResolução
Irradiação global, direta e difusaSYN1DEG1° × 1° (~111 km)
Irradiação em plano inclinadoSYN1DEG derivado1° × 1°
Temperatura do ar e mínima absolutaMERRA-20,5° × 0,625° (~55 km)

O SYN1DEG combina observações de satélites geoestacionários e polares com transferência radiativa para estimar os fluxos de radiação na superfície. O MERRA-2 é uma reanálise: um modelo atmosférico global reprocessado com assimilação de observações, que produz um campo meteorológico contínuo e coerente no tempo.

O que é uma climatologia

Os mapas e as tabelas deste atlas usam a climatologia de 20 anos, de janeiro de 2001 a dezembro de 2020: para cada célula e cada mês, a média daquele mês ao longo dos vinte anos. É a base correta para dimensionar, porque representa a condição típica e não um ano particular. O que a climatologia não diz é quanto um ano ruim se afasta dessa média — e essa pergunta tem capítulo próprio, o 05.

A temperatura mínima segue outra lógica: em vez da média, foi tomada a menor temperatura registrada no período, porque o que rompe um circuito é a noite excepcional, não o mês médio.

Como se mede recurso solar em superfície

Vale saber o que está por trás da estimativa de satélite, porque é contra a medida em solo que ela se valida. A irradiação global se mede com piranômetro — de termopilha, mais preciso e usado como referência, ou de fotodiodo, mais barato e com resposta espectral limitada. A direta normal se mede com pirheliômetro, montado em rastreador solar que mantém o instrumento apontado para o disco solar ao longo do dia. A difusa se obtém sombreando um piranômetro com uma bola ou anel que bloqueia apenas o disco solar.

No Brasil, as duas redes de referência são a rede SONDA, operada pelo INPE com estações solarimétricas de padrão de pesquisa, e as estações meteorológicas automáticas do INMET, muito mais numerosas mas com instrumentação de menor precisão para radiação. É contra redes desse tipo que qualquer modelo de satélite precisa ser aferido.

A grade e o sítio

Cada valor deste atlas representa uma célula de grade, não um ponto. Uma célula de 1° tem cerca de 111 km de lado e cobre relevo, vegetação e nebulosidade variados. Onde se lê "Curitiba" leia-se "a célula que contém Curitiba". Em terreno plano e homogêneo a aproximação é boa; em região de serra, em faixa litorânea estreita e em vale encaixado ela se degrada — e o capítulo 03 quantifica esse efeito.

NASA POWER: power.larc.nasa.gov. Contorno territorial: Natural Earth, domínio público. Todo o processamento — recorte territorial, cálculo de mês crítico, coeficiente de área e variabilidade — é próprio, e os scripts acompanham o material de origem.
03Validação

Validação e incerteza

Um atlas que não declara seu erro pede confiança sem dar motivo. Este declara, em dois níveis: contra medição de piranômetro em solo e contra um segundo produto de satélite.

O padrão-ouro é a medição direta, e ela vem adiante, com a rede SONDA. Antes dela, uma verificação mais ampla: a base deste atlas foi comparada, localidade a localidade, contra o PVGIS, do Joint Research Centre da Comissão Europeia. Os dois produtos não compartilham cadeia de processamento, então a concordância entre eles mede robustez — quantas localidades poderiam estar erradas por falha de um método específico.

Base do atlasContraprova
FonteNASA POWERPVGIS, JRC
SatéliteSYN1DEGSARAH2
ReanáliseMERRA-2ERA5
Período2001–20202005–2020
−2,4%
viés da base deste atlas em relação ao PVGIS, em 36 localidades — satélite contra satélite
4,1%
erro quadrático médio entre as duas bases de satélite independentes

O viés é negativo e sistemático: a base deste atlas estima, em média, 2,4% a menos de irradiação que o PVGIS, com erro quadrático médio de 4,1%. Vinte e sete das 36 localidades comparadas ficam dentro de ±5%. Para dimensionamento de aquecimento solar, um viés negativo é o lado seguro do erro — leva a sistema ligeiramente maior, não menor.

O padrão das divergências não é aleatório

As nove localidades fora da faixa de ±5% são, todas, litorâneas ou ribeirinhas: Aracaju, Vitória, Fortaleza, Natal, Salvador, Macapá, João Pessoa, Belém e Manaus. No interior, as duas bases concordam dentro de cerca de 2%.

LocalidadeEste atlasPVGISDiferença
Aracaju SE5,566,23-10,7%
Vitória ES4,905,33-8,1%
Fortaleza CE5,766,26-7,9%
Natal RN5,776,26-7,8%
Salvador BA5,265,69-7,6%
Macapá AP5,005,33-6,1%
João Pessoa PB5,856,22-5,9%
Belém PA5,205,52-5,8%
Manaus AM4,664,94-5,6%
Teresina PI5,836,09-4,3%
Porto Velho RO4,774,97-4,0%
Boa Vista RR5,145,35-3,9%
Maceió AL5,926,09-2,8%
São Luís MA5,235,37-2,6%
Belo Horizonte MG5,025,15-2,5%
Birigui SP5,295,40-2,0%
Araçatuba SP5,295,40-2,0%
Rio de Janeiro RJ4,714,79-1,6%
Ribeirão Preto SP5,235,31-1,4%
Bauru SP5,165,23-1,3%
Florianópolis SC4,324,34-0,5%
Goiânia GO5,505,52-0,3%
São Paulo SP4,534,54-0,3%
Londrina PR5,025,04-0,3%
Campinas SP5,145,15-0,2%
Recife PE6,056,05-0,1%
São José do Rio Preto SP5,375,37-0,1%
Maringá PR5,025,01+0,2%
Curitiba PR4,374,36+0,3%
Uberlândia MG5,475,44+0,5%
Brasília DF5,545,51+0,6%
Campo Grande MS5,225,16+1,1%
Porto Alegre RS4,564,50+1,3%
Cuiabá MT5,275,18+1,7%
Palmas TO5,485,37+2,1%
Caxias do Sul RS4,524,43+2,1%

A explicação é geométrica, não física. Uma célula de grade sobre a costa mistura superfície de terra e de mar, que têm albedo, nebulosidade e regime térmico diferentes; cada produto resolve essa mistura de um jeito. Quanto mais estreita a faixa de terra dentro da célula, maior a divergência.

Consequência prática. Em obra no interior, use o valor tabelado com confiança de poucos por cento. Em obra no litoral, considere que o valor tabelado pode subestimar a irradiação em até cerca de 10% — o dimensionamento resultante é conservador, mas se o projeto for sensível a custo de área, vale contratar dado de sítio.

Contra o solo: a rede SONDA

Concordância entre dois satélites mede robustez, não acerto. Para medir acerto é preciso comparar contra quem mede a irradiação diretamente, com piranômetro instalado no chão. É o que faz a rede SONDA, do INPE — e, ao contrário da base do Atlas do mesmo instituto, os dados da SONDA são licenciados em CC BY 4.0, que permite uso comercial com atribuição.

Foram processadas as séries de irradiância global de todas as estações solarimétricas com registro suficiente dentro da janela 2001–2020. O dado bruto vem em média por minuto, em W/m²: mais de meio milhão de leituras por estação-ano, agregadas até a média diária com controle de qualidade — descarte de leitura fora da faixa física, dia válido só com 95% dos minutos, mês válido só com 20 dias, e ano válido só com os doze meses, para que falha sazonal não enviese a média. Sobraram 21 anos-estação completos. A comparação com o satélite é feita nas coordenadas exatas de cada estação e ano a ano, para que a diferença medida seja erro da base e não diferença de janela amostral.

EstaçãoAnosMedidoEste atlasDesvioPVGIS
Natal RN36,015,78-3,9%+4,0%
São Martinho da Serra RS44,674,59-1,6%-3,3%
Cachoeira Paulista SP44,954,89-1,1%+1,1%
Florianópolis SC44,404,40+0,1%+2,2%
Brasília DF35,365,51+2,7%+3,1%
Petrolina PE35,585,89+5,7%+4,0%
Joinville SC53,204,22+31,9%+23,8%
+0,3%
viés da base deste atlas contra medição de piranômetro, em 6 estações
3,1%
erro quadrático médio contra o solo — cinco das seis estações dentro de ±5%

Contra o solo, a base deste atlas é praticamente não enviesada: +0,3% de viés médio e 3,1% de erro quadrático médio. O PVGIS, na mesma comparação, fica em +1,9% de viés e 3,1% de RMSE. Os dois produtos são bons; o usado aqui é ligeiramente mais central.

O resultado de Natal confirma o que a comparação entre satélites havia sugerido: ali a base deste atlas fica 3,9% abaixo da medição, enquanto o PVGIS fica 4,0% acima. É estação litorânea, e é exatamente onde a célula de grade mistura terra e mar. A ressalva costeira acima não era hipótese: aparece na medição.

Uma estação foi excluída da estatística, e é preciso dizer por quê. Joinville/SC registrou média de 3,20 kWh/m²·dia, valor menor que o mínimo de toda a grade nacional e fisicamente implausível naquela latitude. As duas bases de satélite, independentes entre si, ficaram 24% e 32% acima dessa estação — quando dois produtos independentes convergem e apenas a estação destoa, o mais provável é problema de instrumento: descalibração, sujidade ou sombreamento do piranômetro. A linha permanece na tabela, marcada, e fica fora do viés e do RMSE. Incluindo-a, os números seriam +4,8% de viés e 12,4% de RMSE — e diriam mais sobre aquele sensor do que sobre a base.
Limites desta validação. Seis estações e 21 anos-estação são amostra pequena para um país deste tamanho, e a rede SONDA não cobre o Norte nem o Centro-Oeste com série longa o bastante — Palmas, Ourinhos e Sombrio têm dados, mas nenhum ano fechou os doze meses sob o critério adotado. Onde não há estação, a incerteza declarada é uma extrapolação razoável, não uma medida.
Medição de superfície: INPE — Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Base de dados da Rede SONDA — Serviço de Organização Nacional de Dados Ambientais. Disponível em sonda.ccst.inpe.br. Acessado em: 31 jul. 2026. Licença CC BY 4.0. · Contraprova de satélite: PVGIS v5.2, base de radiação SARAH2, dados meteorológicos ERA5, Joint Research Centre da Comissão Europeia; uma localidade do conjunto de 37 — Rio Branco/AC — não retornou dado e ficou fora daquela comparação.
Campo de coletores solares planos em cobertura no semiárido brasileiro, sob sol de meio-dia
04O recurso

O recurso solar brasileiro

Coletores planos em cobertura no semiárido, sob sol de meio-dia, com o barrilete de cobre correndo entre as fileiras. Sombra curta e dura: é a condição de irradiação máxima do país — e, como o capítulo mostra, a que menos explica o tamanho do sistema.

A irradiação varia muito menos pelo país do que a intuição sugere. Entre a melhor e a pior capital há um fator de 1,5. Não é a irradiação que faz um sistema ser grande.

Mapa da irradiação solar global horizontal média anual no Brasil
Irradiação global horizontal, média anual, em kWh/m² por dia. Grade de 1°, 796 células em território brasileiro. Fonte: NASA POWER (SYN1DEG), climatologia 2001–2020; contorno Natural Earth. Elaboração: Solis Solar.
6,05
kWh/m²·dia — Recife, a capital mais ensolarada
4,32
kWh/m²·dia — Florianópolis, a menos ensolarada
1,5×
é o quanto a irradiação anual varia entre a melhor e a pior localidade do levantamento
3,2×
é o quanto varia a área de coletor necessária para atender exatamente a mesma demanda

A distância entre esses dois fatores é o ponto de partida deste atlas. Ela é tudo aquilo que o mapa de irradiação não mostra: o mês em que o sistema sofre, o ângulo que se escolhe e, principalmente, a temperatura da água que entra no sistema.

O que o mapa mostra

A faixa de maior irradiação do país é o interior do semiárido — oeste da Bahia, sul do Piauí, sertão de Pernambuco —, onde a média anual passa de 5,9 kWh/m²·dia. A menor está no litoral de Santa Catarina e do Paraná e no extremo sul gaúcho, abaixo de 4,4. A Amazônia ocidental fica em posição intermediária-baixa, puxada pela nebulosidade convectiva, não pela latitude.

Para o especificador de aquecimento solar, três leituras importam mais que o valor anual:

Os doze meses

A média anual esconde a sazonalidade, que é o que realmente dimensiona. Os doze painéis abaixo estão na mesma escala de cor — escala por painel exageraria cada mês e apagaria a comparação entre eles.

< 3,03,0–3,73,7–4,44,4–5,15,1–5,85,8–6,5> 6,5
todos os meses
Os doze mapas mensais lado a lado
Os doze meses na mesma escala. Deslize para ver mês a mês, ampliado.
De 4.04 a 7.07 kWh/m²·dia no território nacional.
De 3.91 a 6.82 kWh/m²·dia no território nacional.
De 4.02 a 6.58 kWh/m²·dia no território nacional.
De 3.80 a 5.94 kWh/m²·dia no território nacional.
De 2.68 a 5.52 kWh/m²·dia no território nacional.
De 2.20 a 5.60 kWh/m²·dia no território nacional.
De 2.40 a 5.95 kWh/m²·dia no território nacional.
De 3.06 a 6.57 kWh/m²·dia no território nacional.
De 3.60 a 7.04 kWh/m²·dia no território nacional.
De 4.07 a 7.13 kWh/m²·dia no território nacional.
De 4.38 a 7.15 kWh/m²·dia no território nacional.
De 4.22 a 7.28 kWh/m²·dia no território nacional.

Irradiação global horizontal mês a mês, kWh/m² por dia, escala única nos doze painéis. A faixa mensal vai de 2,20 a 7,28 no território nacional — três vezes mais amplitude que a média anual sugere. Fonte: NASA POWER, climatologia 2001–2020. Elaboração: Solis Solar.

A sequência mostra três comportamentos distintos. O semiárido nordestino sustenta valores altos de agosto a novembro e só cede no início do ano. O Sul afunda de maio a julho, com junho em torno de 3 kWh/m²·dia. E a faixa central do país — Centro-Oeste e sul da Amazônia — escurece justamente no verão, entre dezembro e fevereiro, quando a convecção domina. É a base do capítulo 06.

Direta e difusa

A global horizontal se reparte entre a componente direta e a difusa, e a proporção entre elas muda a tecnologia adequada. Concentrador só aproveita a direta; coletor plano aproveita as duas.

Mapa da irradiação direta normal no Brasil
Irradiação direta normal, média anual. De 2,31 a 5,88 kWh/m²·dia.
Mapa da fração difusa da irradiação no Brasil
Fração difusa da global. De 30% no semiárido a 51% na Amazônia ocidental.

O contraste é grande: no semiárido, menos de um terço da irradiação chega difusa; na Amazônia ocidental, mais da metade. É a razão física de o coletor plano fechado dominar o mercado brasileiro de água quente — sob fração difusa alta, a tecnologia que só enxerga o disco solar perde metade do recurso disponível.

A média anual de irradiação é o número menos útil de um atlas solar para quem dimensiona água quente. O sistema não é dimensionado para o ano médio. É dimensionado para o pior mês.
Fonte: NASA POWER, Prediction Of Worldwide Energy Resources, climatologia mensal e anual de 20 anos (2001–2020), produtos SYN1DEG e MERRA-2. Domínio público, uso comercial livre mediante citação. power.larc.nasa.gov
05Variabilidade

Variabilidade interanual e margem de projeto

A climatologia diz a média de vinte anos. Nenhum ano é a média. Este capítulo mede o quanto o recurso oscila e traduz isso em margem.

Todo o dimensionamento deste atlas usa a média climatológica. É a escolha correta, mas ela esconde uma pergunta que o cliente vai fazer na primeira temporada ruim: e se o ano for pior que a média? Para responder, a série anual de irradiação de 2001 a 2020 foi levantada para cada uma das 115 localidades e tratada estatisticamente.

Mapa de variabilidade interanual da irradiação por localidade
Coeficiente de variação da irradiação anual, 2001–2020, em 115 localidades. Fonte: NASA POWER. Elaboração: Solis Solar.
2,3%
coeficiente de variação mediano da irradiação anual
1,0–4,0%
faixa entre a localidade mais estável e a mais oscilante
2,7%
déficit mediano do ano P90 em relação à média
6,7%
maior déficit P90 do levantamento, em Pelotas/RS

O recurso solar é estável — e isso é um argumento

O coeficiente de variação da irradiação anual no Brasil fica entre 1,0% e 4,0%, com mediana de 2,3%. Para efeito de comparação, é uma grandeza muito mais previsível que vazão de rio ou regime de chuva. Um sistema solar térmico bem dimensionado não tem ano catastrófico: tem ano um pouco pior.

A geografia da variabilidade segue a meteorologia. No Norte, dominado por convecção tropical de regime estável, o coeficiente médio é de 1,7% — Santarém, no Pará, é a localidade mais previsível do levantamento, com 1,0%. No Sul, onde a passagem de sistemas frontais varia de um ano para o outro, a média sobe para 3,3%, e Petrópolis, na serra fluminense, lidera com 4,0%.

O ano P90 e a margem que ele pede

Em estudo de recurso, a convenção é declarar o P90: o valor de irradiação anual que é superado em 90% dos anos. É o ano conservador com que se dimensiona quando o projeto não admite frustração de desempenho — em contrato de performance, por exemplo.

O déficit do P90 em relação à média mediana é de 2,7%, chegando a 6,7% em Pelotas. Traduzido para projeto: acrescentar de 3% a 7% à área coletora, conforme a localidade, cobre o ano ruim. É uma margem pequena, e é exatamente por ser pequena que vale declará-la em vez de embutir um "fator de segurança" redondo e não justificado.

LocalidadeMédia 2001–2020Pior anoP90CVDéficit P90
Pelotas RS4,504,144,203,6%6,7%
Cachoeiro de Itapemirim ES4,864,564,623,5%5,1%
Juiz de Fora MG4,684,444,453,7%4,8%
Campos dos Goytacazes RJ4,974,704,743,5%4,7%
Porto Alegre RS4,564,214,353,4%4,7%
Uruguaiana RS4,884,574,653,7%4,7%
Petrópolis RJ4,714,444,494,0%4,6%
Rio de Janeiro RJ4,714,444,494,0%4,6%
João Pessoa PB5,855,655,781,3%1,2%
Recife PE6,055,875,971,4%1,2%
Belém PA5,205,115,141,1%1,1%
Santarém PA5,074,995,021,0%1,1%
Somando os dois efeitos: a diferença entre a melhor e a pior localidade em área coletora é de 3,2 vezes. A diferença entre um ano típico e um ano ruim, na mesma localidade, é de 3% a 7%. Errar de cidade custa muito mais caro que errar de ano.
NASA POWER, série anual 2001–2020 · 115 localidades
Limite. Vinte anos são suficientes para caracterizar variabilidade interanual, mas curtos para afirmar tendência. Este atlas não declara tendência de longo prazo na irradiação, nem projeta cenário climático futuro: são análises que exigem série mais longa e tratamento estatístico próprio.
Bateria de coletores solares em cobertura no Sul do Brasil sob céu fechado de inverno, com neblina e superfícies molhadas
06Mês crítico

O mês crítico manda no projeto

A mesma tecnologia da página anterior, sob céu fechado de inverno no Sul. Luz difusa, nenhuma sombra projetada, tudo molhado. É neste dia, e não no de sol forte, que o dimensionamento se decide.

Um sistema fotovoltaico é dimensionado pelo ano. Um sistema de aquecimento solar é dimensionado pelo mês em que ele mais sofre — e no Brasil esse mês não é o mesmo em todo lugar.

A diferença é estrutural, não de detalhe. O fotovoltaico injeta o excedente do verão na rede e o recupera no inverno; a compensação acontece na fatura. Água quente não tem rede: o que sobra em janeiro não aquece o chuveiro de julho. Se o sistema não entregar no mês pior, o apoio elétrico ou a gás cobre a diferença — e é exatamente essa conta que o cliente vai receber.

Dois regimes, não um

Rodando os doze meses de irradiação no plano inclinado à latitude para cada célula da grade nacional, o mês de mínimo se organiza em dois regimes geográficos bem separados.

Mapa do regime do mês crítico no Brasil
Mês de menor irradiação no plano inclinado à latitude. Verdes: regime de inverno (maio a julho). Terrosos e ouro: regime de estação chuvosa (novembro a março). Fonte: NASA POWER, climatologia 2001–2020. Elaboração: Solis Solar.

No Sul, no Sudeste e na faixa litorânea do Nordeste, o mínimo é junho: é o regime de inverno, o que todo mundo espera. Mas em cerca de 60% do território — Centro-Oeste, boa parte da Amazônia, Tocantins, norte de Minas, Piauí — o mínimo cai entre novembro e março: é o regime de estação chuvosa, em que o sistema sofre no verão, sob nebulosidade persistente, e não no inverno.

Perfil mensal de irradiação em quatro cidades de regimes diferentes
Irradiação global horizontal mês a mês. Porto Alegre e Birigui caem em junho; Brasília e Manaus caem no verão chuvoso. Fonte: NASA POWER, climatologia 2001–2020.

Isso tem consequência direta de projeto, e é onde uma regra de bolso do Sudeste erra ao ser exportada. Em Brasília, dimensionar pelo inverno subestima o sistema: junho é um mês bom ali. O aperto vem em novembro.

O mercado brasileiro de aquecimento solar está concentrado no Sudeste e no Sul, que somam 82% das vendas — e ficam quase inteiros no regime de inverno. A prática do setor se formou nesses 37% do território. Os outros 60% seguem outra regra.
ABRASOL 2025 · NASA POWER 2001–2020
Limite desta leitura. O mês crítico foi definido pela irradiação no plano à latitude. O mês crítico real de um sistema também depende da temperatura da água de alimentação e do perfil de demanda da edificação — que no regime de inverno reforçam junho e, no regime de chuva, atenuam parcialmente o mínimo de verão, porque a água de alimentação está quente. Trate este mapa como o primeiro filtro do projeto, não como a palavra final.

A inclinação que salva o inverno não serve para o Brasil todo

Há uma regra difundida de que coletor para água quente deve ser inclinado à latitude mais 10° ou 15°, para privilegiar o sol baixo do inverno. A regra é boa — onde o mês crítico é o inverno. Onde não é, ela cobra caro.

Efeito de inclinar a latitude mais 15 graus no mês crítico, por latitude
Efeito de adotar latitude+15° em vez de latitude, medido no mês crítico de cada localidade. Fonte: NASA POWER, superfície inclinada voltada ao equador, climatologia 2001–2020.
LocalidadeLatitudeMês críticoLatitude+15° no mês críticoEfeito no ano
São José do Rio Preto SP20,8°jun+7,8%-2,4%
Birigui SP21,3°jun+7,5%-2,6%
Ribeirão Preto SP21,2°jun+7,5%-2,5%
Bauru SP22,3°jun+7,4%-2,7%
Campinas SP22,9°jun+7,3%-2,7%
Campo Grande MS20,5°jun+7,3%-2,8%
Palmas TO10,2°jan-9,0%-1,0%
Teresina PI5,1°jan-9,0%-1,7%
Belo Horizonte MG19,9°nov-9,2%-2,5%
Cuiabá MT15,6°jan-9,4%-1,8%
Goiânia GO16,7°dec-10,3%-1,4%
Uberlândia MG18,9°dec-11,0%-1,9%

No regime de inverno, subir 15° acima da latitude entrega de 5% a 8% a mais no mês crítico e custa de 2% a 5% no total anual. É uma troca vantajosa: perde-se energia no verão, quando sobra, para ganhar no inverno, quando falta. No regime de chuva, a mesma decisão reduz a captação no mês crítico em até 11%, porque o sol de novembro e dezembro está alto e um plano muito inclinado o recebe de esguelha.

Faça: escolha o ângulo olhando o mês crítico da localidade, não a latitude isolada. No regime de inverno, latitude+15°. No regime de chuva, latitude ou menos.
Não faça: aplicar latitude+15° como regra nacional. Em Uberlândia, Goiânia, Cuiabá, Palmas e Teresina isso piora justamente o mês que define o tamanho do sistema.
A irradiação em plano inclinado usada aqui é o produto de superfície inclinada da NASA POWER, voltada ao equador, com o próprio horizontal do mesmo produto como referência. Comparar plano inclinado contra a irradiação global horizontal misturaria bases de dados distintas e produziria ganhos falsos.
Vista aérea de cima de um campo extenso de coletores solares planos em fileiras paralelas
07Dimensionamento

Dimensionamento por tipologia

Campo de coletores visto de cima, com o barrilete correndo entre as fileiras. A grandeza que o projeto entrega aqui não é potência instalada: é área — e é ela que este capítulo calcula.

Um coeficiente por localidade, normalizado por 100 litros diários a 40 °C. Multiplique pela demanda levantada da sua obra e você tem a área coletora.

O método

O dimensionamento parte de um balanço de energia no mês crítico. É o mesmo princípio por trás do método f-Chart, referenciado pela ABNT NBR 15569 e adotado no manual técnico do LabEEE/UFSC, aqui reduzido à forma direta que o anteprojeto exige.

Q = V × 1,163 × ΔT ÷ 1000
A = Q × f ÷ (Hcrítico × η)
Q
energia útil diária, em kWh/dia
V
volume diário de água quente a 40 °C, em litros
1,163
calor específico da água, em Wh por litro e por kelvin
ΔT
temperatura de uso menos temperatura da água de alimentação, em kelvin
A
área coletora, em m²
f
fração solar alvo no mês crítico
H
irradiação no plano dos coletores no mês crítico, em kWh/m²·dia
η
rendimento global do sistema: coletor multiplicado pelas perdas de circuito e reservatório

Premissas declaradas deste atlas

Os coeficientes tabelados adiante usam fração solar de 60% no mês crítico, rendimento global de 50%, uso a 40 °C e temperatura de água de alimentação igual à média do ar no mês crítico, com piso de 12 °C para representar o amortecimento da rede enterrada. Troque qualquer uma dessas premissas e o coeficiente muda proporcionalmente — a fórmula está acima justamente para isso.

O coeficiente de área

Normalizar por 100 litros diários a 40 °C dispensa qualquer premissa de ocupação: o especificador levanta a demanda da obra pelo método que preferir — vazão dos pontos de consumo pela NBR 5626, volume médio per capita, ou medição — e multiplica.

Maior área por litro
LocalidadeCrít.HT. friam²/100 L
Bagé RSjun3,6512,01,07
Caxias do Sul RSjun3,6012,51,07
Pelotas RSjun3,5313,21,06
Rio Grande RSjun3,3314,81,06
Lages SCjun3,7212,01,05
Passo Fundo RSjun3,7113,01,02
Menor área por litro
LocalidadeCrít.HT. friam²/100 L
Bom Jesus PIfev4,9326,10,39
Picos PIfev4,9426,30,39
Natal RNjun4,8226,70,38
Barreiras BAnov5,1126,60,37
Teresina PIjan4,7227,40,37
Mossoró RNjun5,4327,10,33
A mesma demanda de água quente exige 1,07 m² de coletor em Caxias do Sul e 0,33 m² em Mossoró, por 100 litros diários. 3,2 vezes de diferença — enquanto a irradiação varia apenas 1,5×.
NASA POWER 2001–2020 · premissas declaradas acima

De onde vem a diferença

O fator 3,2× é o produto de dois efeitos que se multiplicam, e o segundo costuma ser ignorado:

É por isso que um sistema especificado por catálogo, com regra única para o país, entrega bem no Nordeste e decepciona no Sul. Não é falha do equipamento. É a conta que não foi feita.

Conferência contra a regra de bolso

A prática de mercado recomenda de 1,0 a 1,5 m² de coletor por 100 litros de reservatório. Como o reservatório é dimensionado para armazenar a 60 °C e o coeficiente deste atlas se refere a consumo a 40 °C, a conversão entre as duas bases é de aproximadamente o dobro. A faixa deste atlas, de 0,33 a 1,07 m² por 100 L a 40 °C, equivale a algo entre 0,7 e 2,1 m² por 100 L na base de 60 °C. A regra de bolso cai dentro dessa faixa — no meio dela. O que o atlas acrescenta não é um número diferente: é saber em que localidade você está no piso da faixa e em qual está no teto.

Aplicando por tipologia

O caminho é sempre o mesmo: levante a demanda diária de água quente a 40 °C, encontre a localidade na tabela do anexo, multiplique. Três exemplos, com as premissas de ocupação declaradas em cada um — são premissas de exemplo, não valores normativos, e devem ser substituídas pelo levantamento real da obra.

Hotel · Birigui/SP

140 hóspedes, 60 L/hóspede·dia a 40 °C = 8.400 L/dia.

8.400 ÷ 100 × 0,544 = 46 m² de coletor.

Mês crítico junho, H = 5,21 kWh/m²·dia, ângulo latitude+15°.

Vestiário de clube · Curitiba/PR

300 usuários·dia, 25 L/usuário a 40 °C = 7.500 L/dia.

7.500 ÷ 100 × 0,95 = cerca de 71 m².

A mesma demanda de um hotel menor exige quase o dobro da área, por causa da água fria de junho.

Hospital · Recife/PE

120 leitos, 100 L/leito·dia a 40 °C = 12.000 L/dia.

12.000 ÷ 100 × 0,41 = cerca de 49 m².

Demanda 43% maior que a do hotel de Birigui, área coletora praticamente igual.

Ferramenta

Calcule a área para a sua obra

O método do capítulo, aplicado à demanda que você levantar. As premissas ficam à vista e podem ser trocadas — o resultado acompanha.

litros por dia
Premissas de cálculo
%
coletor × perdas de circuito
°C no ponto de consumo
m² de coletor
Mês crítico
Irradiação nesse mês
Inclinação
Reservatório
Energia útil/ano
Margem P90

Resultado de anteprojeto. Projeto executivo pede a curva de rendimento do coletor efetivamente especificado e o perfil horário de consumo da edificação — e vale conferir contra o Dimensolis, como descrito adiante.

Reservatório

Para sistema central com consumo distribuído ao longo do dia, o volume de acumulação usual fica entre 1,0 e 1,5 vez o consumo diário de água quente à temperatura de armazenamento. Quanto mais concentrado o pico — vestiário de clube, escola, ginásio —, mais o volume tende ao teto da faixa; quanto mais espalhado — hotel, hospital —, mais ele pode ficar no piso. O reservatório também tem função térmica além da função de estoque: acumulação adequada mantém a água de entrada dos coletores mais fria, e coletor com entrada fria rende mais.

Do critério ao número: Dimensolis

A Solis mantém uma calculadora própria de dimensionamento, o Dimensolis, com três trilhas — banho, piscina e fotovoltaico —, descrita pela fabricante como ferramenta para simulação do tamanho e do custo do sistema. O acesso à calculadora exige conta.

Atlas e calculadora não fazem a mesma coisa, e é bom que não façam. A calculadora entrega o número para a obra específica, com os produtos reais da linha. O atlas entrega o critério: qual é o mês que manda naquela localidade, qual ângulo esse mês pede, e por que a mesma demanda pede áreas tão diferentes em cidades diferentes. Um responde "quanto"; o outro, "por quê".

O uso mais útil dos dois juntos é a conferência cruzada. Rode o dimensionamento no Dimensolis, calcule a área pelo coeficiente da localidade na tabela do anexo e compare. Convergência entre dois métodos independentes é confiança de projeto. Divergência grande não significa que um esteja errado — significa que as premissas diferem, e vale descobrir qual: fração solar alvo, rendimento adotado, temperatura de água fria ou mês de referência. Essa é uma conversa que se tem com o fabricante antes de assinar o memorial, não depois.

dimensolis.com.br

Método conforme o balanço de energia usual de anteprojeto, alinhado ao f-Chart referenciado pela ABNT NBR 15569 e ao Manual Técnico para Projeto e Construção de Sistemas de Aquecimento Solar e Gás Natural, LabEEE/UFSC, 2011. Vazões de pontos de consumo conforme ABNT NBR 5626. Irradiação e temperatura: NASA POWER 2001–2020.
08Conformidade

Norma e conformidade

O que precisa estar citado no memorial, o que precisa estar etiquetado na obra e o que o licenciamento vai cobrar.

Normas técnicas

NormaObjetoSituação
ABNT NBR 15569Sistema de aquecimento solar de água em circuito direto — requisitos de projeto e instalaçãoRevisada e publicada em 29/06/2021, substituindo a versão de 2008. Projeto de emenda submetido a consulta pública pela CE-055:003.001.
ABNT NBR 15747-1 e -2Coletores solares — requisitos gerais e métodos de ensaioVigentes, com cancelamento previsto após a publicação do projeto PN-055:003.001-005. Confirme a vigência na data do memorial.
ABNT NBR 7198Projeto e execução de instalações prediais de água quenteVigente. Define os requisitos de higiene, segurança e conforto da instalação a jusante do sistema solar.
ABNT NBR 5626Instalação predial de água fria — vazões de projeto dos aparelhos sanitáriosVigente. É a base para o levantamento de demanda pelo método das vazões.

Etiquetagem: PBE/Inmetro

Coletores solares e reservatórios térmicos são avaliados pelo Programa Brasileiro de Etiquetagem, com classes de A a E e Etiqueta Nacional de Conservação de Energia. A avaliação da conformidade segue o RAC anexo à Portaria Inmetro nº 395, de 10 de novembro de 2008. As tabelas de coletores para aplicação banho e para aplicação piscina, e as de reservatórios de alta e de baixa pressão, foram atualizadas pelo Inmetro em 16 de dezembro de 2025.

Exija no memorial: modelo, fabricante e código de registro do produto no PBE, com a classe de eficiência e a produção específica mensal. Sem o código de registro, a etiqueta não é verificável — e é ela que sustenta o cálculo de fração solar apresentado ao cliente.

Obrigatoriedade legal

A capital paulista é o caso mais consolidado, e serve de referência para as demais. A Lei municipal nº 14.459, de 3 de julho de 2007, alterou o Código de Obras e Edificações para tornar obrigatória a instalação de aquecimento solar em novas edificações. A regra é escalonada: imóveis com até três banheiros ficam obrigados apenas a preparar a infraestrutura para instalação futura; com quatro banheiros ou mais, o sistema é de instalação obrigatória. Toda piscina aquecida, nova ou existente, deve usar aquecimento solar.

A Resolução SMUL/CEUSO nº 156, de 17 de dezembro de 2024, estabeleceu procedimentos técnicos e administrativos no licenciamento das edificações que necessitem de sistema de aquecimento complementar, incluindo o tratamento dos casos de impossibilidade técnica e de sistemas alternativos de desempenho equivalente, mediante laudo e aprovação da CEUSO.

Atenção no cronograma: alegação de impossibilidade técnica ou proposta de sistema alternativo passa por análise de colegiado. Tratar isso como formalidade de fim de obra é como se perde prazo de habite-se.

Geração distribuída: o que muda a comparação

A Lei nº 14.300, de 6 de janeiro de 2022, instituiu o marco legal da microgeração e minigeração distribuída. Para os sistemas fotovoltaicos conectados a partir de 2023, a componente Fio B da TUSD passou a ser cobrada de forma escalonada sobre a energia injetada na rede: 30% em 2024, 45% em 2025, 60% em 2026, 75% em 2027 e 90% em 2028.

Isso não afeta diretamente o aquecimento solar — sistema térmico não injeta nada na rede, ele reduz consumo no próprio ponto. Mas afeta a comparação entre as duas tecnologias, e o capítulo 07 trata disso.

Fontes: ABNT e comissão de estudos CE-055:003.001 (ABRAVA); Inmetro, Programa Brasileiro de Etiquetagem, equipamentos de aquecimento solar de água; Lei municipal de São Paulo nº 14.459/2007 e Resolução SMUL/CEUSO nº 156/2024, Catálogo de Legislação Municipal da Prefeitura de São Paulo; Lei federal nº 14.300/2022.
Casa de máquinas com reservatórios térmicos, tubulação isolada e conjunto de bombas
09Projeto

Projeto executivo

Sistema central com acumulação em bateria de reservatórios, recalque em bases de inércia e tubulação isolada. Em obra de grande porte, a casa de máquinas é o item que mais frequentemente falta no projeto de arquitetura.

Onde o anteprojeto vira instalação: arranjo, proteção, materiais e as decisões que determinam se o sistema vai durar quinze anos ou dar manutenção no terceiro.

Termossifão ou bombeado

O termossifão dispensa bomba, controle e energia elétrica, e por isso é o arranjo padrão da residência. Ele exige que o reservatório fique acima dos coletores, com desnível suficiente, e tolera mal circuitos longos. Em obra de grande porte o desnível quase nunca existe e o comprimento de tubulação inviabiliza a circulação natural: o arranjo passa a ser bombeado, com controlador diferencial de temperatura comandando a bomba a partir da diferença entre a saída dos coletores e o fundo do reservatório.

Circuito direto ou indireto

No circuito direto, a própria água de consumo passa pelos coletores. É mais simples e mais eficiente, e é o escopo da NBR 15569. No circuito indireto, um fluido secundário circula pelos coletores e troca calor com a água de consumo por um trocador. O indireto se justifica em duas situações: risco de congelamento, e água de alimentação agressiva ao circuito do coletor.

Congelamento: onde a decisão muda

Congelamento não é problema teórico no Brasil. Em 172 das 2.258 células da grade de temperatura em território brasileiro, a menor temperatura do ar registrada entre 2001 e 2020 ficou abaixo de zero.

Mapa do risco de congelamento no Brasil
Menor temperatura do ar registrada no período 2001–2020, em °C. Grade de 0,5°×0,625°. Fonte: NASA POWER (MERRA-2). Reanálise suaviza extremos locais: o microclima do sítio pode ser mais frio que a célula. Elaboração: Solis Solar.
LocalidadeMenor temperatura registradaMês crítico
São Joaquim SC-5,7 °Cjun
Guarapuava PR-5,2 °Cjun
Vacaria RS-5,2 °Cjun
Ponta Grossa PR-5,1 °Cjun
Caxias do Sul RS-4,9 °Cjun
Lages SC-4,9 °Cjun
Passo Fundo RS-3,9 °Cjun
Uruguaiana RS-3,9 °Cjun
Bagé RS-3,8 °Cjun
Curitiba PR-3,7 °Cjun
Santa Maria RS-3,4 °Cjun
Chapecó SC-3,3 °Cjun

Abaixo de zero, a especificação muda: circuito indireto com fluido anticongelante, ou circuito direto com estratégia ativa de proteção — recirculação comandada por termostato, drenagem automática, ou coletor construtivamente tolerante a congelamento. Cada uma tem custo e modo de falha diferentes, e a escolha precisa estar no memorial, não na cabeça do instalador.

Não confie na média. A média de julho em Curitiba é positiva e a mínima registrada é de −3,7 °C. Sistema se rompe na noite excepcional, não na média do mês.

Água de alimentação

Dureza e agressividade da água determinam a vida útil do circuito. Água dura incrusta a tubulação do coletor e reduz a troca progressivamente, sem sintoma até a queda de desempenho já estar instalada. Onde houver histórico de incrustação, o projeto precisa prever tratamento a montante ou circuito indireto — e prever acesso para limpeza.

Legionella e temperatura de armazenamento

Sistema central de água quente com acumulação e recirculação em edificação de uso coletivo — hotel, hospital, casa de repouso — exige atenção ao controle de temperatura de armazenamento e ao dimensionamento do retorno. O sistema solar entrega a água em temperatura variável ao longo do dia, e é o conjunto solar mais apoio que precisa garantir a condição de armazenamento. Em hospital, isso não é recomendação de conforto.

Apoio

O apoio não é acessório: com fração solar de 60% no mês crítico, ele responde por 40% da energia naquele mês. Dimensione o apoio para a totalidade da demanda na ausência de sol, defina o ponto de inserção — em série após o reservatório solar, nunca dentro dele quando isso comprometer a estratificação — e trave o comando para que o apoio não dispute o dia com o coletor.

Isolamento

Perda térmica de tubulação come fração solar em silêncio. Toda a rede de água quente, de ida e de retorno, precisa de isolamento especificado por espessura em função do diâmetro e da temperatura, e a especificação precisa sobreviver ao orçamento: é o primeiro item que a obra corta e o último que alguém confere.

O ponto mais negligenciado é a conexão. Trecho reto isolado com luva contínua resolve sozinho; conexão, curva, registro e a própria entrada do coletor ficam descobertos porque a luva padrão não fecha ali. São poucos centímetros por ponto, multiplicados por centenas de pontos num campo de coletores.

Detalhe da conexão de manifold com luva de isolamento térmico recuada
Conexão de barrilete com a luva recuada. É onde o isolamento costuma terminar na obra — e onde a perda começa.
Piscina aquecida em manhã fria com bateria de coletores na cobertura vizinha
10Piscina

Piscina

Piscina aquecida em manhã de inverno. O vapor visível na superfície é perda por evaporação — o maior termo do balanço térmico de uma piscina descoberta.

Quase metade da área de coletor produzida no Brasil é de coletor aberto, e boa parte dela vai para piscina. É um problema térmico diferente do banho — e mais sensível à cobertura que ao coletor.

Em 2024, a produção brasileira somou 922.673 m² de coletores abertos, contra 1.054.574 m² de coletores fechados e 50.834 m² de tubo a vácuo. O coletor aberto — sem cobertura de vidro e sem isolamento — é o adequado para piscina porque a temperatura de trabalho é baixa, entre 26 e 30 °C, e nessa faixa a perda de um coletor envidraçado não compensa o custo do vidro.

Evolução da área de coletores solares produzida no Brasil entre 2015 e 2024
O mercado em que essa divisão acontece. A produção anual cresceu 10,8% em 2024, contra 2,8% em 2023, e o acumulado de 25 anos chegou a 26,7 milhões de m². Fonte: ABRASOL, Pesquisa de Produção e Vendas 2025, ano base 2024.

A distribuição regional das vendas concentra-se no Sudeste, com 70% do mercado, seguido do Sul com 12%, Centro-Oeste com 8%, Nordeste com 7% e Norte com 3%. Por segmento, o residencial responde por 76%, comercial e serviços por 19%, industrial por 3% e projetos sociais por 2%. É um dado que vale para quem especifica: o segmento de obra coletiva, onde este atlas atua, é justamente o menos maduro do mercado brasileiro — e por isso o mais sujeito a especificação por analogia com a residência.

O balanço é dominado pela evaporação

Diferentemente do banho, em que a energia útil é a que aquece um volume que sai do sistema, a piscina é um reservatório aberto que perde calor continuamente para o ambiente. O termo dominante é a evaporação da lâmina d'água, seguido de radiação para o céu noturno e convecção pelo vento. A área de troca é a superfície da piscina — não o volume.

Cobertura térmica noturna é a intervenção de melhor relação custo-benefício em piscina aquecida. Ela ataca o maior termo de perda, e reduz a área coletora necessária de forma que nenhum ganho de eficiência de coletor consegue igualar.

Regra de partida

Para piscina descoberta com uso residencial ou de clube, a área de coletor aberto costuma ser especificada como fração da área de espelho d'água: da ordem de 70% a 100% da superfície para piscina com cobertura térmica, e acima disso quando não há cobertura, com o percentual crescendo conforme a latitude, a exposição ao vento e a temperatura alvo. O vento é a variável mais subestimada: piscina em cota alta e desabrigada perde muito mais que a mesma piscina protegida.

Sequência de projeto: defina a temperatura alvo e o período de uso; decida a cobertura térmica antes de dimensionar o coletor; só então calcule a área. Fazer na ordem inversa leva a superdimensionar o campo de coletores para compensar uma perda que uma capa resolveria.

Obrigatoriedade

Em São Paulo, a Lei nº 14.459/2007 determina que toda piscina aquecida — em imóvel novo ou existente — utilize sistema de aquecimento solar. É uma exigência que não depende do número de banheiros nem do porte da edificação.

Dados de produção: ABRASOL, Pesquisa de Produção e Vendas 2025, ano base 2024.
11Comparação

Térmico × fotovoltaico

A pergunta certa não é qual tecnologia é melhor. É qual delas resolve a carga que a obra tem, com que área de cobertura e sob que regra tarifária.

Aquecer água por resistência elétrica alimentada por fotovoltaico é converter energia solar em eletricidade, com perda, para depois converter eletricidade em calor. Aquecer água por coletor solar é converter energia solar diretamente em calor. Por área de cobertura ocupada, o segundo caminho entrega mais energia útil para a mesma finalidade — e é por isso que os dois sistemas coexistem em vez de um substituir o outro.

Onde cada um ganha

Térmico resolve melhor

  • Carga concentrada e previsível de água quente: hotel, hospital, vestiário, lavanderia, cozinha industrial.
  • Cobertura limitada em relação à demanda de água quente.
  • Onde a conta de energia é dominada pelo aquecimento de água.
  • Onde há exigência legal de aquecimento solar.

Fotovoltaico resolve melhor

  • Carga elétrica diversificada: climatização, iluminação, elevadores, equipamentos.
  • Demanda de água quente pequena diante do consumo elétrico total.
  • Área de cobertura abundante.
  • Onde o objetivo é reduzir a fatura como um todo, não uma carga específica.

O que a Lei 14.300 mudou na comparação

Enquanto a compensação da geração distribuída era integral, o fotovoltaico convertia excedente em crédito de valor cheio, e a comparação era quase indiferente ao horário de uso. Com a cobrança escalonada do Fio B sobre a energia injetada — 60% em 2026, subindo a 90% em 2028 —, o valor do excedente exportado cai, e o autoconsumo instantâneo passa a valer mais que a injeção.

Isso favorece estruturalmente o aquecimento solar, que é autoconsumo por construção: o calor é gerado e armazenado no próprio local, sem passar pela rede e sem sofrer encargo de uso do sistema de distribuição. O reservatório térmico é, em essência, um armazenamento de energia que não paga pedágio.

Onde este atlas para. A comparação econômica entre as duas tecnologias depende da tarifa da distribuidora local, do perfil horário de carga da edificação, do custo instalado praticado na região e do regime tributário da obra. As faixas do capítulo 08 são ordens de grandeza para triagem de anteprojeto. Decisão de investimento pede estudo com a tarifa homologada da concessionária e a curva de carga medida.

Híbrido

Em boa parte das obras grandes a resposta é os dois, com divisão clara de escopo: coletor solar cobrindo a carga de água quente, fotovoltaico cobrindo a carga elétrica geral, e o apoio elétrico do sistema térmico alimentado pelo fotovoltaico. Nesse arranjo o apoio deixa de ser um custo puro e passa a consumir energia própria justamente no mês em que o coletor entrega menos.

12Viabilidade

Viabilidade econômica

Quanta energia um metro quadrado de coletor entrega por ano, quanto isso vale na tarifa de hoje e o que muda a conta.

Produção anual por metro quadrado

Aplicando o rendimento global de 50% à irradiação anual no plano escolhido, a energia útil entregue por metro quadrado de coletor instalado varia de cerca de 744 kWh por ano nas localidades mais nubladas a mais de 1.040 kWh por ano no Nordeste. A coluna completa está na tabela do anexo.

Essa é a energia que deixa de ser comprada. Como o aquecimento de água por resistência elétrica é o uso final que o sistema substitui na maior parte dos casos, a conversão para reais é direta: multiplique a produção anual pela tarifa aplicável à unidade consumidora, com tributos.

Referência de tarifa

A ANEEL projetou para 2026 um efeito médio de alta de cerca de 8% nas tarifas de energia elétrica, com a tarifa residencial média nacional saindo de aproximadamente R$ 786 por MWh em dezembro de 2025 para cerca de R$ 849 por MWh ao fim de 2026 — da ordem de R$ 0,85 por kWh. Encargos setoriais, com destaque para a Conta de Desenvolvimento Energético, respondem pela maior parte da pressão.

744–1.040
kWh por m² de coletor por ano, energia útil entregue
R$ 0,85
tarifa residencial média nacional projetada para o fim de 2026
R$ 632–884
valor anual evitado por m² de coletor, nessa tarifa
60%
do Fio B cobrado sobre injeção fotovoltaica em 2026
O que este atlas não estima. Custo instalado. Ele varia com o porte da obra, o arranjo hidráulico, a altura de recalque, a necessidade de reforço estrutural na cobertura e a região. Sem custo instalado não há payback, e apresentar payback sem custo levantado seria fabricar um número. As faixas acima dão o numerador da conta — o denominador vem do orçamento da obra.

O que mexe de verdade na viabilidade

Tarifas: ANEEL, projeção de reajuste tarifário para 2026. Produção anual: cálculo próprio a partir da irradiação NASA POWER 2001–2020 no plano indicado por localidade, com rendimento global de 50%.
Técnico verificando conexão de manifold em bateria de coletores na cobertura de um edifício
13Especificação

Especificação Solis

Verificação de conexão em bateria de coletores. Em sistema central, a execução do barrilete determina o equilíbrio hidráulico entre as fileiras — e o equilíbrio determina o desempenho real do campo.

A Solis fabrica em Birigui, no interior de São Paulo, há quinze anos, com mais de trezentos pontos de venda no país.

Linhas

LinhaAplicação
Linha BanhoColetor fechado para água quente de consumo, residencial e coletivo
Linha PiscinaColetor aberto para aquecimento de piscina
Linha OGPAplicação de grande porte
FotoSolisFotovoltaico
SmartHotLinha inteligente

Ferramentas

Dimensolis — calculadora de dimensionamento da Solis, em dimensolis.com.br, com trilhas separadas para banho, piscina e fotovoltaico. Simula o tamanho e o custo do sistema. Requer conta. Use junto com o coeficiente de área do capítulo 03, como conferência cruzada entre dois métodos independentes.

A completar antes da publicação. Esta seção precisa receber, da Solis: os códigos de registro no PBE/Inmetro e a classe de eficiência de cada modelo; a produção específica mensal etiquetada; as faixas de volume dos reservatórios de alta e de baixa pressão; os prazos de garantia por componente; a disponibilidade de famílias BIM; e as premissas de cálculo adotadas pelo Dimensolis — fração solar alvo, rendimento e temperatura de água fria —, para que a conferência cruzada do capítulo 03 compare bases equivalentes. Esses dados não foram inseridos porque não podem ser inferidos, e um número errado aqui é um número errado no memorial de um cliente.

O que pedir ao fabricante, seja ele qual for

Código de registro no PBE/Inmetro e classe de eficiência de cada modelo especificado.
Produção específica mensal etiquetada, para conferir a fração solar prometida.
Curva de rendimento do coletor, com os coeficientes de perda, e não apenas o rendimento de pico.
Perda de carga por coletor e limite de coletores em série, para o cálculo do barrilete.
Pressão de trabalho e de ensaio do coletor e do reservatório.
Comportamento especificado sob congelamento, quando a obra estiver em zona de risco.
Prazo de garantia por componente, com o que cobre e o que exclui.

Contato técnico

Solis Solar · Rua João Galo, 1655, Bosque da Saúde, Birigui/SP, 16200-381 · (18) 3211-3773 · [email protected] · solissolar.com.br

14Anexos

Anexos e fontes

A tabela completa das 115 localidades, o checklist de especificação e a procedência de cada dado.

Tabela mestra

GHI é a irradiação global horizontal anual. H é a irradiação no plano dos coletores no mês crítico, no ângulo indicado. T. fria é a temperatura da água de alimentação adotada. O coeficiente é a área de coletor por 100 litros diários a 40 °C, com fração solar de 60% no mês crítico e rendimento global de 50%. A última coluna é a energia útil anual entregue por m² instalado.

Clique no cabeçalho para ordenar por qualquer coluna.

LocalidadeUFGHI anoMês crít.H crít.ÂnguloT. friam²/100 LkWh/m²·anoCV
Cruzeiro do SulAC4,62fev3,64latitude25,20,577531,9%
Rio BrancoAC4,73fev3,74latitude25,10,567842,1%
ArapiracaAL5,63jun4,39latitude+15°23,90,519252,1%
MaceióAL5,92jun4,95latitude+15°25,20,429981,6%
ManausAM4,66dez3,67latitude27,10,497621,7%
ParintinsAM4,91abr3,80latitude26,70,498061,2%
TeféAM4,70mai3,84latitude+15°25,60,527501,8%
MacapáAP5,00fev3,52latitude+15°25,70,578081,3%
OiapoqueAP4,92fev3,48latitude+15°25,00,607972,1%
BarreirasBA5,87nov5,11latitude26,60,3710402,1%
Feira de SantanaBA5,26jun4,47latitude+15°23,20,538882,6%
IlhéusBA5,15jun4,47latitude+15°25,00,478662,6%
JuazeiroBA5,88jun5,22latitude+15°24,80,419862,3%
SalvadorBA5,26jun4,47latitude+15°24,30,498882,6%
Vitória da ConquistaBA5,35jun4,78latitude+15°20,00,589072,8%
FortalezaCE5,76abr4,47latitude+15°27,20,409732,4%
Juazeiro do NorteCE5,85jun5,28latitude+15°24,50,419892,3%
SobralCE5,59fev4,50latitude26,20,439551,9%
BrasíliaDF5,54nov4,70latitude23,20,509872,3%
Cachoeiro de ItapemirimES4,86nov4,50latitude24,30,499073,5%
LinharesES4,84nov4,24latitude25,00,498563,2%
São MateusES5,30jun4,75latitude+15°22,50,519112,7%
VitóriaES4,90jun4,72latitude+15°20,10,598813,2%
AnápolisGO5,47nov4,71latitude23,20,509752,2%
CatalãoGO5,43dez4,84latitude24,10,469742,4%
GoiâniaGO5,50dez4,75latitude23,60,489812,1%
LuziâniaGO5,52nov4,72latitude23,70,489852,4%
Rio VerdeGO5,47dez4,93latitude24,70,439801,9%
BalsasMA5,44dez4,25latitude26,90,439291,7%
ImperatrizMA5,25jan4,20latitude26,20,468811,6%
São LuísMA5,23mar4,10latitude26,40,468801,7%
Belo HorizonteMG5,02nov4,45latitude21,50,588983,4%
DivinópolisMG5,17nov4,89latitude23,20,489722,9%
Governador ValadaresMG4,97jun4,54latitude+15°21,80,568453,0%
Juiz de ForaMG4,68jun4,59latitude+15°17,80,678423,7%
Montes ClarosMG5,58nov4,86latitude24,80,449992,8%
Poços de CaldasMG5,08jun5,26latitude+15°15,40,659342,7%
UberabaMG5,29dez4,76latitude23,50,489562,1%
UberlândiaMG5,47dez4,91latitude23,20,489822,3%
Campo GrandeMS5,22jun5,12latitude+15°19,30,569462,1%
CorumbáMS5,09jun4,51latitude+15°23,80,508692,0%
DouradosMS5,10jun4,63latitude+15°19,00,639182,5%
Três LagoasMS5,37jun5,34latitude+15°20,50,519762,1%
Barra do GarçasMT5,37dez4,43latitude25,80,459302,0%
CuiabáMT5,27jan4,66latitude26,60,409222,3%
RondonópolisMT5,31jan4,68latitude26,20,419412,2%
SinopMT5,30dez4,30latitude24,90,499102,2%
SorrisoMT5,33fev4,44latitude24,70,489222,2%
AltamiraPA4,85fev3,60latitude25,00,587711,2%
BelémPA5,20fev3,75latitude25,90,538721,1%
MarabáPA5,01dez3,85latitude27,10,478291,4%
SantarémPA5,07fev4,07latitude26,30,478421,0%
Campina GrandePB5,47jun4,41latitude+15°23,40,538931,9%
João PessoaPB5,85jun4,85latitude+15°25,30,429861,3%
PatosPB6,10jun5,14latitude+15°25,20,4010191,8%
CaruaruPE5,35jun4,19latitude+15°21,10,638742,3%
GaranhunsPE5,72jun4,52latitude+15°21,60,579391,9%
PetrolinaPE5,88jun5,22latitude+15°24,80,419862,3%
RecifePE6,05jun5,05latitude+15°25,10,4110261,4%
Bom JesusPI5,82fev4,93latitude26,10,3910171,9%
PicosPI5,93fev4,94latitude26,30,3910272,1%
TeresinaPI5,83jan4,72latitude27,40,3710011,3%
CascavelPR4,96jun4,30latitude+15°15,80,798952,9%
CuritibaPR4,37jun3,84latitude+15°14,00,957843,4%
Foz do IguaçuPR4,89jun4,09latitude+15°17,40,778793,5%
GuarapuavaPR4,65jun4,12latitude+15°13,00,918452,9%
LondrinaPR5,02jun4,74latitude+15°16,70,699112,4%
MaringáPR5,02jun4,74latitude+15°17,70,669112,4%
Ponta GrossaPR4,47jun3,87latitude+15°14,10,948053,1%
Cabo FrioRJ4,70jun4,63latitude+15°22,50,538513,9%
Campos dos GoytacazesRJ4,97jun4,81latitude+15°22,50,518943,5%
PetrópolisRJ4,71jun4,61latitude+15°19,00,638524,0%
Rio de JaneiroRJ4,71jun4,61latitude+15°21,50,568524,0%
Volta RedondaRJ4,74jun4,87latitude+15°17,00,668693,7%
MossoróRN6,09jun5,43latitude+15°27,10,3310191,6%
NatalRN5,77jun4,82latitude+15°26,70,389651,6%
Ji-ParanáRO4,94fev3,83latitude25,30,548322,5%
Porto VelhoRO4,77dez3,69latitude26,10,537922,1%
VilhenaRO4,88fev3,91latitude23,80,588282,4%
Boa VistaRR5,14mai3,87latitude26,90,478611,8%
PacaraimaRR5,41mai4,30latitude22,70,569161,5%
BagéRS4,74jun3,65latitude+15°12,01,078643,5%
Caxias do SulRS4,52jun3,60latitude+15°12,51,078163,8%
Passo FundoRS4,72jun3,71latitude+15°13,01,028433,6%
PelotasRS4,50jun3,53latitude+15°13,21,068013,6%
Porto AlegreRS4,56jun3,55latitude+15°14,51,008203,4%
Rio GrandeRS4,65jun3,33latitude+15°14,81,068113,0%
Santa MariaRS4,68jun3,70latitude+15°13,21,018473,9%
UruguaianaRS4,88jun3,79latitude+15°13,30,988863,7%
VacariaRS4,62jun3,88latitude+15°12,01,018413,3%
BlumenauSC4,16jun3,59latitude+15°14,70,987443,5%
ChapecóSC4,76jun3,74latitude+15°14,50,958453,5%
CriciúmaSC4,33jun3,93latitude+15°14,30,917953,3%
FlorianópolisSC4,32jun3,72latitude+15°16,80,877733,0%
JoinvilleSC4,21jun3,52latitude+15°17,70,887453,2%
LagesSC4,41jun3,72latitude+15°12,01,057963,3%
São JoaquimSC4,33jun3,93latitude+15°12,00,997953,3%
AracajuSE5,56jun4,58latitude+15°25,80,439162,2%
ItabaianaSE5,56jun4,58latitude+15°23,20,519162,2%
AraçatubaSP5,29jun5,21latitude+15°20,50,529632,3%
BauruSP5,16jun5,09latitude+15°17,90,619402,6%
BiriguiSP5,29jun5,21latitude+15°19,70,549632,3%
CampinasSP5,14jun5,14latitude+15°17,00,629422,6%
FrancaSP5,30jan5,10latitude23,30,469972,2%
MaríliaSP5,16jun5,09latitude+15°18,80,589402,6%
Presidente PrudenteSP5,20jun4,97latitude+15°19,30,589442,4%
Ribeirão PretoSP5,23jun5,37latitude+15°19,30,549602,4%
SantosSP4,53jun4,39latitude+15°20,30,638193,3%
SorocabaSP4,85jun4,67latitude+15°16,60,708772,9%
São José do Rio PretoSP5,37jun5,51latitude+15°20,20,509842,0%
São José dos CamposSP4,63jun4,49latitude+15°16,50,738413,3%
São PauloSP4,53jun4,39latitude+15°16,30,758193,3%
AraguaínaTO5,16dez3,98latitude26,90,468731,9%
GurupiTO5,51jan4,64latitude26,20,419642,3%
PalmasTO5,48jan4,55latitude25,70,449522,2%
Ferramenta

As seis camadas, lado a lado

Cada mapa aparece no capítulo em que o texto o discute. Aqui eles ficam reunidos, no mesmo enquadramento, para comparação direta.

Camada selecionada do atlas

Irradiação global horizontal, média anual. A variação entre a melhor e a pior localidade é de apenas 1,5× — e é o menos determinante dos fatores de dimensionamento. Capítulo 04.

Checklist de especificação

  1. Levantar a demanda diária de água quente a 40 °C pelo método das vazões dos pontos de consumo ou por medição.
  2. Identificar o mês crítico da localidade e o regime — inverno ou estação chuvosa.
  3. Definir o ângulo dos coletores pelo mês crítico, não pela latitude isolada.
  4. Aplicar o coeficiente de área da localidade e obter a área coletora.
  5. Rodar o mesmo caso no Dimensolis e comparar os dois resultados; havendo divergência grande, identificar qual premissa difere antes de seguir.
  6. Definir o volume de acumulação a partir do perfil de pico de consumo.
  7. Verificar o risco de congelamento e definir a estratégia de proteção no memorial.
  8. Verificar dureza e agressividade da água de alimentação.
  9. Dimensionar o apoio para a totalidade da demanda e travar o comando contra disputa com o coletor.
  10. Especificar isolamento de toda a rede, ida e retorno, por espessura em função do diâmetro.
  11. Prever a casa de máquinas no projeto de arquitetura, com acesso para manutenção.
  12. Exigir código de registro no PBE/Inmetro de cada equipamento especificado.
  13. Verificar a obrigatoriedade legal municipal e o rito de licenciamento aplicável.

Fontes e licenças

FonteUso neste atlasLicença
NASA POWERIrradiação global horizontal, direta normal, difusa, plano inclinado e temperatura do ar. Climatologia 2001–2020.Domínio público, uso comercial livre mediante citação
Rede SONDA · INPEMedição de superfície com piranômetro, em resolução de minuto, usada para validar a base do atlasCC BY 4.0 — uso comercial permitido com atribuição
PVGIS · JRCSegunda base de satélite, para contraprova independenteUso livre com atribuição
Natural EarthContorno das unidades federativas nos mapasDomínio público
ABRASOLPesquisa de Produção e Vendas 2025, ano base 2024: série histórica de área de coletores, reservatórios, distribuição regional e por segmentoDado estatístico citado com atribuição
ABSOLARCapacidade instalada e projeção do mercado fotovoltaicoDado estatístico citado com atribuição
ANEELProjeção de reajuste tarifário para 2026Informação pública
InmetroPrograma Brasileiro de Etiquetagem, equipamentos de aquecimento solar de águaInformação pública
LabEEE/UFSCManual Técnico para Projeto e Construção de Sistemas de Aquecimento Solar e Gás Natural, 2011: método de demanda e referência ao f-ChartPublicação acadêmica pública, citada

Sobre o Atlas Brasileiro de Energia Solar

O Atlas Brasileiro de Energia Solar, do LABREN/CCST/INPE, é a referência nacional de recurso solar e continua sendo a fonte a consultar para estudo de recurso. Sua base de dados é licenciada em CC BY-NC-ND e, nos termos publicados pelo próprio LABREN, não pode ser reproduzida ou copiada, integral ou parcialmente, para propósitos comerciais sem autorização expressa do INPE. Por isso nenhum dado, mapa ou tabela daquela obra foi utilizado, adaptado ou derivado aqui. Este atlas foi construído sobre bases de domínio público, independentes.

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